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26 jan 2019

Como se prevenir da ameaça dos principais vírus transmitidos por mosquitos no verão

O verão inegavelmente chegou e com ele veio um forte calor. Independente da preferência pessoal de cada pessoa em relação a temperatura, é certo a necessidade de tomar muito mais cuidados com pragas, principalmente os insetos que são muito mais ativos neste período.

Entre os animais que ficam mais animados durante o calor temos os mosquitos, que além de muito chatos, podem transmitir diferentes doenças, algumas até muito temidas, como a dengue ou a Zika.

Levando isso em consideração, a Esgotecnica reuniu algumas dicas para se prevenir da ameaça dos vírus transmitidos pelo mosquito durante o verão.

Como se proteger da ameaça dos mosquitos durante o verão

De todos os vírus que podem afetar os seres humanos durante a estação, a grande maioria é transmitida pelos mosquitos. Não existe maneira de o vírus alcançar um ser humano sem que o mosquito hospedeiro carregue o vetor para o novo hospedeiro. Portanto, a maior preocupação das pessoas deve ser no controle e na eliminação do mosquito.

Evite o mosquito da dengue

A melhor maneira de ficar longe dos vírus que causam doenças é ficando longe do mosquito. As maneiras de acabar com a dengue já foram repetidas e relatadas diversas vezes e em diversos veículos de comunicação.

Mas considerando a importância esse tipo de prevenção, nunca é demais saber como se proteger:

  • A mais importante dica é evitar deixar focos de proliferação no quintal ou nos arredores da sua casa. O mosquito da dengue se reproduz em ambientes com água parada e limpa. Algo que não é tão difícil de eliminar de um ambiente. Vire pneus e garrafas para que eles não acumulem água, use um pouco de desinfetante em ralos e troque a água de animais de estimação constantemente, sem esquecer de limpar o pote uma vez ao dia.
  • Já com os vasos de plantas, o cuidado principal fica por conta de não deixar a água juntar no pratinho que geralmente é colocado embaixo da plantinha. Evitar esse problema é fácil, já que você pode colocar areia onde a água ficaria parada.
  • Outro ponto muito importante é ficar e olho no seu lixo e nunca descuidar de como você joga fora certos objetos. Nunca jogue lixo em valas ou córregos, sempre garanta o descarte correto e nada de deixar entulhos no quintal.

Seguindo essas dicas simples, você pode garantir um quintal livre dessas indesejadas criaturas. Mas ainda há maneiras de se proteger caso você não tenha como controlar os mosquitos em um ambiente, como no trabalho ou por causa de vizinhos.

Repelentes

Os repelentes são simples e bastante eficazes, capazes de espantar os mosquitos. Existem diversos tipos de repelentes que você pode escolher, existem opções em aerossol, líquidas e até mesmo em forma de pulseira.

Quem quer ficar longe destes mosquitos podem escolher qual opção de repelente é a mais indicada para o seu caso. Lembrando que todos repelentes possuem um tempo determinado de efeito. Por isso pesquise bem antes de comprar e tenha sempre o repelente em mãos para repor sempre que o efeito passar.

Tela mosquiteiro

Se a casa fica em um ambiente de risco em relação ao número de focos de criadouros da dengue, pode ser interessante o uso de uma tela mosquiteiro para impossibilitar a entrada dos insetos em sua residência.

As telas são colocadas na janela e são uma solução permanente para ficar seguro dentro de um ambiente. Mas vale ressaltar que depois de sair do local onde estão as telas, você corre o risco de encontrar com esses mosquitos chatos novamente. Portanto, o repelente ainda se faz necessário no dia-a-dia.

Uso da vacina contra a dengue

A vacina contra a dengue é uma boa opção para quem quer evitar ter problemas com o vírus. A vacina licenciada no Brasil é desenvolvida pela empresa francesa Sanofi Pasteur, e é feita com vírus atenuados. Por ser tetravalente ela protege contra quatro sorotipos de dengue existentes, sendo os mais comuns encontrados em contaminações urbanas.

A vacina serve como um importante reforço para quem quer se proteger das doenças causadas pelos vírus transmitidos por mosquitos, porém, não pode ser considerada a única proteção. Em pessoas com mais de 9 anos de idade ela tem uma eficiência de 66%, ou seja, ainda há uma janela para o vírus.

Com isso em mente, a melhor maneira de se proteger da ameaça dos mosquitos durante o verão é fazendo a sua parte para manter o quintal limpo, se protegendo com os repelentes e também contando com as doses da vacina.

Ao seguir essas dicas, você poderá ficar mais tranquilo durante o verão e vai poder aproveitar os dias mais quentes sem medo do mosquito da dengue.

Para os outros insetos, como baratas, cupins e formigas, que também proliferam nesse período, a Esgotecnica Dedetizadora acaba com diversas pragas urbanas em residências e comércios!

Conte com a gente para ajudar sempre que precisar.

18 mar 2016

Gravidez, vírus zika e microcefalia: tire suas dúvidas

Grávidas e tentantes talvez sejam o grupo mais alarmado pelo aumento de infectados pelo vírus zika. O Minstério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) já confirmaram que a infecção causada por este microorganismo está mesmo relacionada aos casos de microcefalia e e também a outras síndromes neurológicas como a de Guillain-Barrém. O problema é que ainda se sabe muito pouco sobre como combater essa epidemia. É a primeira vez que o zika e a microcefalia aparecem interrelacionados, portanto não existem referências na literatura – nem para o diagnóstico, nem para o tratamento. “É uma epidemia com consequências gravíssimas. A última vez que o Brasil declarou estado de emergência nacional, como agora, foi em 1917, por causa da gripe espanhola”, declarou o Ministro da Saúde, Marcelo Castro.

Além do combate ao mosquito, que por enquanto é a principal medida no combate à epidemia, o Minsitério da Saúde anunciou que os laboratórios do exército passarão a fabricar repelentes para gestantes, que serão distribuídos por todo o país. Mas ainda não há um prazo para isso aconteça.

Para ajudar você, conversamos com especialistas para elaborar um tira-dúvidas sobre o assunto. Confira:

O que é microcefalia e como é feito o dignóstico?
Por definição, o que se chama de microcefalia é quando a cabeça tem um tamanho menor do que o esperado para a idade do bebê. Além dessa redução, a microcefalia pode também estar associada a outras características, como uma fronte mais achatada e excesso de pele na nuca.

Quando é detectado, por meio do ultrassom, que a medida da cabeça do bebê não corresponde à idade gestacional, tem início toda uma investigação complementar para identificar a causa, com exames como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, por meio dos quais é possível ver se há alterações inflamatórias, nos tecidos cerebrais ou hemorragias.

E o que pode causar a microcefalia?
A diminuição do tamanho da cabeça está diretamente relacionada a uma redução do tamanho do cérebro. Isso pode acontecer tanto por causa de uma má-formação proveniente de uma alteração genética ou por interferências no desenvolvimento cerebral, seja de substância tóxicas, seja de infecções. Vírus, como o da toxoplasmose, da herpes e também o  citomegalovírus, podem levar a esses ruídos do desenvolvimento cerebral, tendo a microcefalia como consequência. Talvez, o zika também possa.

Quais são as consequências da microcefalia? Depois do diagnóstico, alguma coisa pode ser feita?
Essa diminuição do cérebro pode ter como resultado uma série de deficiências neurológicas, tanto cognitivas, como motoras. Cerca de 90% dos casos estão associados com retardo mental. A má notícia é que não é possível reverter a microcefalia. “Como ela é consequência de uma alteração no desenvolvimento cerebral, quando você identifica a microcefalia é porque o dano já aconteceu”, explica a obstetra Ana Elisa Baiõa, gerente da  Área de Atenção Clínico-Cirúrgica à Gestante do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), do Rio de Janeiro (RJ).

Por que o vírus zika teria relação com a microcefalia e o desenvolvimento do cérebro?
Lembra que algumas coisas podem interferir no desenvolvimento cerebral, entre elas as infecções? Pois é aí que o vírus da zika entra. O Ministério da Saúde confirmou a relação entre o vírus e a microcefalia depois de receber o resultado de análises feitas pelo Instituto Evandro Chagas, de Bélem (PA). A presença do zika foi detectada em tecidos do corpo de um bebê que nasceu com microcefalia e outras malformações congênitas e faleceu em Fortaleza, no Ceará.

Quais são os sintomas da zika?
Eles são parecidos com os da dengue, mas geralmente se apresentam de forma mais branda. A pessoa afetada pode apresentar ou não: febre baixa, dores nas articulações, manchas vermelhas pelo corpo, olhos vermelhos e principalmente, muita coceira, o único sinal que destoa da dengue. Esses sintomas podem desaparecer em um prazo de 3 a 7 dias. Vale lembrar que a doença se manifesta da mesma forma tanto para mulheres grávidas quanto para não grávidas. Outro ponto importante é que é possível contrair o vírus e não apresentar nenhum sintoma.

Em exames realizados com grávidas cujos bebês foram diagnosticados com microcefalia, o vírus não estava presente no sangue: ele foi encontrado apenas nolíquido amniótico. Isso pode sinalizar duas coisas: a primeira é que, assim como acontece com outros vírus, o zika pode ser destruído pelo organismo. A segunda sugere que o vírus pode, sim, afetar diretamente o bebê ainda dentro do útero. “Ao contrário do que acontece com o vírus da dengue, o zika consegue passar pela barreira placentária, que é formada por vasos da mãe e do bebê”, explica o infectologista Jean Gorinchteyn, do Emílio Ribas (SP). Ou seja, apesar de os sintomas da zika serem mais brandos que os da dengue, ele pode afetar mais diretamente o bebê. “Na mulher grávida, a dengue provoca alterações na mãe, mas não atua diretamente no filho – tanto é que mães com dengue podem continuar amamentando”, completa o infectologista. Como há indícios de que o zika também pode estar presente no leite materno, caso a mãe que estiver amamentando apresente algum sintoma, é recomendado interromper a amamentação e procurar um médico.

Os casos de dengue aumentaram 234,2% em relação ao mesmo período do ano passado (Foto: Thinkstock)

Como acontece essa transmissão?
A transmissão do zika se dá através da picada do mosquito Aedes aegypti, da mesma forma que acontece com a dengue. O problema é que o vírus da zika nunca se propagou em um país tão populoso como o Brasil. Os casos endêmicos estavam concentrados em lugares mais isolados na África e no sudeste da Ásia, e os especialistas acreditam que o vírus pode ter chegado por aqui durante a Copa do Mundo.

Se uma pessoa infectada com zika for picada pelo mosquito, este passará a transmitir a doença para as próximas pessoas que picar. É por isso que existe chance de a doença se espalhar por outras regiões do Brasil.

Além disso, há indícios de que fluidos corporais, como o sêmen, o sangue e o próprio leite materno também possam propagar o vírus. “Em 2008 foi detectado no Senegal partículas virais do zika em uma mostra de sêmen”, conta Gorinchteyn. Sendo assim, o zika poderia ser transmitido também por via sexual. “Outra preocupação seria o período de perpretação do vírus. Sabemos que, no caso do ebola, o micro-organismo pode ser transmitido pelo sêmen durante 9 meses”, completa.

Como as grávidas podem se proteger?
Ainda não há vacina contra o zica. Mulheres grávidas e não grávidas podem se proteger do mosquito da mesma forma: utilizando roupas para proteger a pele, evitando a picada e aplicando repelente nas áreas que ficam expostas. Roupas claras ofuscam a presença do mosquito, por brilharem muito, e favorecem a visualização do inseto. Ao que tudo indica, a melhor saída até agora é combater os focos do mosquito.Por precaução, se seu parceiro apresentar algum sintomas, não dispense o uso de preservativos nas relações sexuais.

Que tipos de repelentes as grávidas podem usar?
Repelentes que contêm DEET (dietiltoluamida), com concentração entre 10% e 50%, podem ser utilizados por grávidas. Já as crianças de 6 meses a 12 anos não devem usar repelentes com concentração de DEET superior a 10%. Os que contêm ircaridina também estão liberados para gestantes e para bebês acima de 2 anos. Também há opções de repelentes naturais, como a citronela e a andiroba, que não têm contraindicações, mas não possuem eficácia comprovada.

E as mulheres que estão tentando engravidar… é melhor desistir dos planos por enquanto?
“As mulheres que vivem em áreas endêmicas devem hesitar em engravidar nesse momento até que as medidas sejam tomadas no sentido de reduzir o número de mosquitos. Já as mulheres grávidas nessas áreas devem tomar as providências para se protegerem ao máximo da picada do mosquito”, recomenda Gorinchteyn. Por cautela, pelo menos por enquanto, também é melhor que as grávidas que estejam com passagens marcadas para áreas endêmicas desmarquem a viagem.

Fonte: Revista Crescer

20 fev 2016

Você pode ter zika sem saber: só 1 em cada 5 pessoas manifesta sintomas

A confirmação de que o vírus zika está relacionado com a microcefalia (má-formação do cérebro) em bebês e pode aumentar as chances de doenças neurológicas em adultos vem causando preocupação na população. O UOL consultou os infectologistas Ana Freitas Ribeiro, do Hospital Emílio Ribas, Érico Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Artur Timerman, e a Fiocruz para responder as principais dúvidas sobre o assunto.

O zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite também os vírus da dengue e da febre chikungunya, e tem também sintomas parecidos com o da dengue, mas intensidades diferentes. No entanto, apenas 20% dos infectados apresentam os sintomas.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já confirmou ao menos 404 casos de microcefalia em 9 Estados este ano, além de investigar outros 3.670 casos suspeitos.

Não há dados exatos do total de casos de zika no país, já que a doença não apresenta sintomas na maioria dos casos. Mas estima-se que ao menos 500 mil pessoas foram infectadas com o vírus no país em 2015.

“Apesar de ser transmitido pelo Aedes aegypti e ter reações parecidas com o vírus da dengue, o zika vírus é diferente na sua estrutura biológica e por isso é possível que haja comportamento diferente no organismo para que cause a má-formação”, afirma Arruda.

Diagnóstico

Ainda não há kits de diagnóstico para o zika no sistema público. A Anvisa liberou noinício de fevereiro o registro de dois testes de laboratório que possibilitam a detecção dos vírus da dengue, chikungunya e zika com apenas um exame, e um terceiro que pode verificar a presença do vírus em amostras biológicas em estudo.

O governo brasileiro pretende distribuir esses testes para 29 laboratórios credenciados a partir do final de fevereiro, conforme informou o ministro da Saúde, Marcelo Castro.

Por enquanto, o diagnóstico é feito normalmente pelos sintomas (clínico). O método, no entanto, é impreciso visto que dengue, zika e chikungunya têm sintomas muito parecidos. Para confirmar, é possível realizar o exame que identifica o material genético do vírus no sangue dos pacientes. Contudo, esse exame é caro, demorado e restrito, pois só é capaz de detectar o vírus até o 5° dia de sintomas.

Saiba mais sobre zika e microcefalia 

Fonte: UOL
20 fev 2016

Pernilongo também pode transmitir doenças? Entenda o risco

Talvez você só dê bola para os mosquitos quando eles atrapalham o seu sono. Mas agora que o Aedes aegypt virou o grande vilão da transmissão de doenças como dengue, zika, febre amarela e chikungunya, fica a dúvida: os pernilongos também são um problema sério?

O mosquito da espécie Culex quinquefasciatus, conhecido como pernilongo ou muriçoca, é bem mais comum nas cidades brasileiras que o Aedes, embora não seja um vetor de doenças tão poderoso.

O Aedes chama a atenção pela capacidade de adaptar-se e resistir às adversidades, o que o faz viver mais que a média dos mosquitos e carregar os vírus na saliva por mais tempo. Ao contrário do pernilongo, o ‘mosquito da dengue’ tem hábitos de alimentação flexíveis e pode picar de noite ou de dia.

Mas apesar de não carregar tantas doenças, o Culex transmite, por exemplo, febre do Nilo Ocidental, febre de Mayaro e encefalite de Saint Louis.

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) também investiga se ele é capaz de passar os vírus da zika, da dengue e da chikungunya. “Ninguém nunca testou”, disse a pesquisadora Constância Ayres, que coordena o estudo. Ela lembra que a primeira epidemia da zika aconteceu na Micronésia, que não é habitat do Aedes aegypti, o que sugere que outras espécies atuaram como vetor da doença.

Atualmente, o que se sabe de concreto é que o pernilongo transmite doenças sérias, com potencial de epidemia, mas sem a atual abrangência da dengue ou da zika. Segundo o professor Francisco Chiaravalloti Neto, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), o maior perigo do Culex é a transmissão da febre amarela, mas para esta doença já existe vacina.

As outras dependem da circulação das pessoas contaminadas. “Não é o mosquito que faz o vírus se movimentar, mas o homem – seja pelo trabalho ou pelas rotas de êxodo pelo país”, ressalta Adriano Mondini, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

Entenda os riscos e onde os vírus estão

Silva Junior/FSP
Silva Junior/FSP

Febre de Mayaro

É uma doença que causa febre, cefaleia e edema nas articulações –sintomas semelhantes aos da febre chikungunya. O vírus Mayaro, que também pode ser transmitido pelo Aedes, é considerado endêmico (recorrente) no Norte e Centro-Oeste, especialmente na região Amazônica. Há registro recente em Pantanal (MS), Sinop e Cuiabá (MT). Houve surtos em 1955, na área de Belém (PA), e entre 2014 e 2015, em nove Estados, especialmente Goiás, Pará e Tocantins.
AFP
AFP

Febre do Nilo Ocidental

A infecção, que já matou mais de 2.000 pessoas nos EUA nos anos recentes, acomete humanos e animais. Os sintomas vão desde febre e dores nas articulações a quadros graves de encefalite (inflamação do cérebro) ou meningite (inflamação das membranas do cérebro), mas só se manifestam em 20% das pessoas. Apenas 1% dos casos é grave. No Brasil, só houve um caso: um trabalhador rural no Piauí, em 2014. A doença, porém, existe em todos os continentes. Nos EUA, foram registrados mais de 36 mil casos até 2012, 16 mil deles, graves.
Vincent Robert/IRD/AFP
Vincent Robert/IRD/AFP

Encefalite de Saint Louis

Em 2006, foi registrado um surto da doença em São José do Rio Preto (SP). Também já houve casos na região Amazônica e em São Paulo. Em geral, a encefalite não causa nenhum sintoma, sendo muitas vezes confundida com resfriado ou dengue, o que atrapalha a notificação. No entanto, pode matar ou deixar sequelas como disfunção motora residual e/ou psicológica. Os sintomas também podem evoluir para meningite e complicações no sistema nervoso central.
Divulgação
Divulgação

Elefantíase

A fêmea do Culex é vetor da Wuchereria bancrofti, verme (helminto) causador da elefantíase, doença que já chegou a atingir, de forma endêmica, cidades das regiões Norte e Nordeste do Brasil, mas que atualmente está praticamente erradicada.
Fonte: UOL
27 jan 2016

Infestação de baratas de cemitério assusta comerciantes em Pinheiros

Um casal caminha pela calçada do cemitério, de madrugada. Baratas também andam por ali. Com nojo, a mulher atravessa a rua, o homem vai atrás. Baratas, baratas, baratas que passam embaixo da porta e entram nos móveis dos antiquários. Você abre uma gaveta e ela pode estar ali: uma barata. “Sempre tento evitar que um cliente leve um susto com uma barata”, fala Daisy Magalhães, 47, há 16 anos dona de duas lojas de móveis antigos na rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo). A rua anda infestada pelas indesejadas baratas. Em dias e noites de forte calor, a situação piora, contam moradores e os donos dos tradicionais antiquários da descida.

Tem gente que acha que as baratas da Cardeal andam cada vez mais numerosas. “É muita barata. E de vários tamanhos: crianças, adolescentes e adultas”, conta Daisy. Outros comemoram que, antigamente, já foi muito pior. “Hoje está melhor. Eu tinha uma lanchonete. Uma pessoa estava comendo e de repente entrava uma voando, parecia uma andorinha. Era um desfile de baratas”, lembra Lomanto Pereira, 54, hoje dono de dois antiquários. Todos concordam que as baratas da Cardeal são históricas e têm uma origem: saem dos túmulos do cemitério São Paulo, que toma parte da rua. “Moro na Cardeal desde que nasci. Aqui sempre teve muita barata, vem tudo desse cemitério aí. Todo dia tem que jogar veneno. É uma briga”, explica a aposentada Irene Bruno, 80, no portão de sua casa, que fica bem na frente do cemitério.

COMO LIDAR?

A Daisy Decorações também dá de frente para a entrada do cemitério. Por isso, sofre mais. Com o verão, a loja apostou numa nova receita: além das faxinas quase diárias, um pouco de gasolina nos cantos dos móveis e do antiquário. “Baratas não gostam do cheiro”, diz Daisy. Segundo o biólogo Marcelo Freitas, 50, diretor da Associação dos Controladores de Vetores e Pragas, gasolina até espanta os insetos, mas o combustível não é recomendável. “É inflamável, e o cheiro vai ficar por muito tempo.”

“Cemitério tem tudo o que barata precisa: é um lugar ermo, com frestas, lixo e dejetos humanos. A prefeitura que deveria cuidar disso, não os moradores”, diz o biólogo. A prefeitura diz que está cuidando. “A dedetização de todos os 22 cemitérios da cidade está em dia”, argumenta. Afirma, ainda, que em breve fará uma licitação para escolher “empresas qualificadas no controle de pragas”. Enquanto isso, Eugênia Souza, 37, dona de um antiquário e moradora da rua, leva vários sustos por dia. “Jogo veneno. De manhã aparece um monte morta, outras andam meio bambas.”

OLHA OUTRA AÍ

“Eu não mato, tenho nojo. Ando pulando barata na Cardeal. Mas já teve uma que bateu no meu peito”, conta Leandro Farias, 33, que trabalha em uma corretora perto do cemitério. No portão de casa, a aposentada Irene Bruno lembra de quantas já matou na vida. Baratas, baratas, baratas… “Ai, que nojo. Olha, olha aí, uma passando bem aí no seu pé. Credo. Deixa ir. Vamos mudar de assunto?”

Fonte: Folha de São Paulo

29 dez 2015

Vacina contra dengue é aprovada pela Anvisa e deve ser vendida em 3 meses

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a primeira vacina contra a dengue no país. A decisão, publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (28), é o passo inicial para a comercialização do produto no Brasil.

A vacina da multinacional francesa Sanofi Pasteur já recebeu o aval de agências reguladoras no México e nas Filipinas. Aqui, a expectativa é que ela esteja disponível para o mercado privado no prazo de três meses. Com três doses, a vacina é destinada ao público entre 9 e 45 anos de idade e tem taxa de proteção de 66% para pessoas dessa faixa etária.

A eficácia foi considerada baixa pelo presidente da Anvisa, Jarbas Barbosa especialistas ainda têm ressalvas quanto ao prazo das doses, aplicadas a cada seis meses. A vacina contra a febre amarela, por exemplo, tem eficácia de mais de 90%. A vacina contra o vírus HPV, por sua vez, tem eficácia estimada em 98,8% contra o câncer do colo de útero. Sheila Homsani, diretora médica da Sanofi Pasteur, destaca que a vacina contra dengue tem eficácia de 93% em casos graves e diminui em até 80% os casos de internação.

Mais informações: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/12/1723589-vacina-contra-dengue-e-aprovada-pela-anvisa.shtml

10 dez 2015

Zika é transmitido pelo leite? Há vacina contra o vírus?

A confirmação de que o vírus zika pode causar microcefalia (má-formação do cérebro) em bebês e a possível relação com doenças neurológicas em adultos vem causando preocupação na população. O UOL consultou os infectologistas Ana Freitas Ribeiro, do Hospital Emílio Ribas, e Érico Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, que responderam as principais dúvidas sobre o assunto.

O zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite também os vírus da dengue e da febre chikungunya, e tem também sintomas parecidos com o da dengue, mas intensidades diferentes. Porém, depois de comprovada a ligação do zika com a microcefalia, concluiu-se a necessidade de se estudar mais o vírus.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já registrou ao menos 1.761 casos suspeitos de microcefalia em 13 Estados e no Distrito Federal este ano, número dez vezes maior do que a média de notificações anuais no Brasil.

Não há dados exatos do total de casos de zika no país, já que a doença não apresenta sintomas na maioria dos casos. Mas estima-se que ao menos 500 mil pessoas foram infectadas com o vírus no país somente em 2015.

“Apesar de ser transmitido pelo Aedes aegypti e ter reações parecidas com o vírus da dengue, o zika vírus é diferente na sua estrutura biológica e por isso é possível que haja comportamento diferente no organismo para que cause a má-formação”, afirma Arruda.

Diagnóstico
Ainda não há kits de diagnóstico para o zika no sistema público. O Instituto Adolfo Lutz está desenvolvendo o teste que, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, estará pronto nas “próximas semanas”. Na rede privada, o laboratório Hermes Pardini oferece o teste para o vírus zika a R$ 500. O Fleury deve começar a oferecer o exame em até dez dias.

Por enquanto, o diagnóstico é feito pelos sintomas (clínico). O método, no entanto, é impreciso visto que dengue, zika e chikungunya têm sintomas muito parecidos. Alguns testes foram feitos também para identificar o material genético do vírus no sangue dos pacientes. Contudo, esse exame é caro, demorado e restrito, pois só é capaz de detectar o vírus até o 5° dia de sintomas.

Saiba mais sobre zika e microcefalia

Fonte: Uol

09 dez 2015

Zika vírus e a Síndrome Paralisante de Guillain Barré

O Zika vírus é o responsável pelo recente aumento do número de casos de microcefalia em nossos bebês. Isso, por si só, já é uma tragédia extremamente preocupante e exige um esforço do poder público e de todos nós para tentar conter a proliferação do Aedes aegypti, que é o mosquito transmissor deste vírus.

Mas não é só isso. Estamos observando também, paralelamente, um aumento do número de casos de uma síndrome neurológica que paralisa os membros inferiores, podendo atingir segmentos superiores do corpo, levando, inclusive, a situações de gravidade como a paralisia da respiração. É conhecida como Síndrome de Guillain Barré.

Esta síndrome não é nova. Mas sua associação com o Zika vírus, sim. Vamos entender o que significa.

Já há algum tempo sabe-se que agentes infecciosos como vírus ou bactérias exigem um trabalho extra de nossas células de defesa. Quando somos infectados por um agente agressor, nosso “exército” imediatamente se mobiliza para nos defender. Em algumas pessoas, porém, pode-se desencadear uma reação paralela, onde a produção de anticorpos deflagra um mecanismo que nos faz produzir anticorpos contra nós mesmos. Exatamente assim. Isso é o que chamamos de reação “autoimune”. Na situação específica da Síndrome de Guillain Barré, os anticorpos produzidos causam a paralisia dos movimentos dos músculos da perna, impedindo as pessoas de andar. Se o quadro piorar, a paralisia pode atingir o sistema respiratório, fazendo com que a pessoa acometida necessite de respiração por meio de aparelhos, em uma UTI. Importante saber que esta síndrome paralisante é reversível na maioria dos casos. Pode acometer quaisquer pessoas, de quaisquer idades.

O número de casos da Síndrome de Guillain Barré aumentou significativamente em 2015, especialmente nos estados mais acometidos pelo Zika vírus e já se estabeleceu uma relação entre os mesmos.

Fato é que que vivemos, como apontam especialistas, uma tríplice epidemia no Brasil: dengue, Zika e Chikungunya. Todas transmitidas pelo mesmo vetor: o Aedes aegypti, um pernilongo que se prolifera em nossas casas, aproveitando-se do NOSSO descuido, do nosso lixo jogado e deixado indiscriminadamente à espera de uma água de chuva para servir de criadouro para milhares de pernilongos.

Trancamos nossas portas e janelas. Evitamos ruas desertas e caminhos inseguros em determinadas horas. Nossos prédios têm “gaiolas” para maior segurança. No entanto, devemos também nos lembrar que os “inimigos” podem chegar voando pelo nosso descuido irresponsável.

Fonte: G1

23 nov 2015

Produto vendido no supermercado mata larva do mosquito da dengue; conheça

Até outubro deste ano, cerca de 1,5 milhão de brasileiros sofreram com casos possíveis de dengue, de acordo com o Ministério da Saúde. Todas as regiões do país registraram focos da doença e registraram aumento da incidência, à exceção da Norte — só no Sudeste, o salto foi de 320%. O crescimento desperta o temor de uma nova epidemia em 2016. Diante disso, são necessárias novas armas para combater ao mosquito transmissor. Assim, um novo produto capaz de matar as larvas do mosquito foi lançado e será vendido em supermercados.

De acordo com o infectologista Marcelo Abreu Ducroquet, o combate à dengue é bastante árduo e tem, como premissa, evitar os criadores do mosquito. “Eles precisam de água parada e razoavelmente limpa, o que acontece com vasos de flores. O problema é que esses criadores nem sempre são visíveis, como calhas entupidas, por exemplo”, afirma o também professor da Universidade Positivo e da PUC-PR. “É um trabalho muito difícil. A população precisa estar bem atenta e agir ativamente para evitar problemas mais graves”, reforça Ducroquet.

Pensando nisso, uma empresa paranaense lançou um produto que promete atacar as larvas. A Dexter Latina, indústria química focada em inseticidas e controle de pragas cuja sede fica em São José dos Pinhais, na região Metropolitana de Curitiba, levou três anos para criar o “Straik Mata-Larvas”. Trata-se de um veneno que atrapalha a proliferação dos mosquitos por meio do princípio ativo piriproxifen, que impede que os insetos atinjam sua próxima etapa de evolução. Ou seja, as larvas não se transformam em mosquitos.

Autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o produto se mostra eficaz contra o Aedes aegypti, que, além da dengue, responde pela transmissão da chikungunya e zika e do Anopheles gambiae, que transmite a malária.

Acondicionado em microcápsulas, o produto promete durar até 60 dias nos seus locais de aplicação e pode ser usado em recipientes que acumulam água ou em locais secos, que represam água de chuva e servem de abrigo para os mosquitos depositarem os seus ovos.

De acordo com Milton Braida, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Dexter Latina, um dos grandes diferenciais do produto está em sua baixa toxidade, que, justamente, permite a aplicação doméstica. “A dona de casa vai encontrar um produto na prateleira do supermercado que corta o ciclo do mosquito da dengue. Antes, era possível controlar apenas os mosquitos adultos”, explica.

Já existem outros produtos com o mesmo propósito, mas o “Straik Mata-Larvas” pode ser usado pelo público comum em qualquer ambiente. Disponível em todo o mercado nacional, a estimativa da companhia é comercializar 1 milhão de unidades no próximo verão.

Ação da população atua ao lado do governo
O publicitário e professor de Marketing Samuel Ferreira de Matos, de 34 anos, encontrou o produto no supermercado e resolveu fazer um teste em seu sobrado localizado no Bairro Boa Vista, em Curitiba.

“Tenho uma filha pequena e houve alguns picos de calor em Curitiba e resolvi me prevenir. Há cerca de um mês, passei o produto, achei simples de usar e gostei bastante”, conta. Para estender a prevenção, Matos também aplicou em seu local de trabalho. A motivação para o uso veio de algumas matérias que falavam sobre o risco da transmissão da dengue em períodos mais quentes.

“Foi muito mais uma questão de liberar a minha consciência. Vejo muitas pessoas aguardando soluções da prefeitura, mas penso que é muito difícil conseguir atingir os terrenos de todas as casas”, explica o publicitário. “Minha ideia foi de imunizar a minha área, protegendo minha família, meus amigos, meus colegas de trabalho. Quis fazer a minha parte”, ressalta.

Para evitar a contaminação, o infectologista diz que é possível, além da prevenção do lado de fora, colocar tela de mosquitos nas residências, usar repelentes, inseticidas, entre outras técnicas que impeçam a aproximação do mosquito. “Os inseticidas comuns são eficazes contra o mosquito da dengue. A principal dificuldade é combater a larva”, explica Ducroquet.

Fonte: Uol

08 out 2015

Estudo revela formigas ociosas e contesta fábula de “animal trabalhador”

Jean de La Fontaine, através de suas fábulas, tinha por ambição usar “animais para instruir os homens”. A fábula que abre sua primeira coletânea é a famosa história da Cigarra e da Formiga, inspirada em Esopo. Se o escritor grego mostra, em seu texto, as formigas atarefadas, colocando grãos para secar, seu longínquo sucessor francês não se dá ao mesmo trabalho e já presume como certa a imagem da formiga trabalhadora, reforçando-a.

Essa imagem ganhou tanta força que, nas definições do dicionário, uma formiga pode ser sinônimo de uma pessoa trabalhadora e um formigueiro um lugar onde trabalha um grande número de humanos. Além disso, foi atribuído o sucesso ecológico dos insetos sociais (abelhas, formigas, cupins…) à divisão do trabalho e à especialização dos indivíduos que eles adotam, um modo de organização no qual o Homo sapiens se inspirou para muitos domínios, como a indústria, a informática, a robótica e a logística.

No entanto, tudo isso pode ter sido construído em cima de um simples mito, pois formigas e trabalho não seriam tão sinônimos assim, de acordo com vários estudos, o mais recente deles publicado na edição de setembro da revista “Behavioral Ecology and Sociobiology”.

Metade fica à toa
Os autores desse artigo, biólogos da Universidade do Arizona, partiram da constatação, obtida por diversos trabalhos anteriores, que diz que nos formigueiros estudados cerca de metade dos indivíduos pareciam inativos. Então eles quiseram verificar se esse era de fato o caso e testar diversas hipóteses que pudessem explicar essa “ociosidade” como, por exemplo, uma necessidade de repouso imposta pelo relógio interno ou por excesso de trabalho.

Para isso esses pesquisadores foram a campo, em uma área perto de Tucson, no Arizona, para coletar cinco pequenas colônias de Temnothorax rugatulus, uma formiga norte-americana, e as instalaram em ninhos artificiais que imitavam as fissuras de rochedos que essa espécie aprecia como habitat. Mas em vez de serem completamente cercados por rochas, os insetos viviam sob uma placa de vidro, para que pudessem ser observados. As formigas tinham à sua disposição água, alimento, mas também os grãos de areia que elas utilizam para construir paredes em suas colônias.

Como era preciso poder identificar cada inseto para analisar seu comportamento, os pesquisadores pacientemente colocaram em todas as formigas uma combinação de quatro pontos de pintura – um na cabeça, um no tórax e dois no abdômen – alguns dias antes do início da experiência. Esta consistiu em filmar as cinco colônias não continuamente, mas em 18 episódios de cinco minutos cada, seis por dia durante três dias, distribuídos ao longo de um período de três semanas.

Registrar as imagens evidentemente era a parte mais fácil da história. O quebra-cabeça começou depois, quando foi preciso analisar, para cada indivíduo, todos esses vídeos, um verdadeiro trabalho de…formiguinha.

Os observadores tinham como missão anotar todas as atividades que os insetos realizavam, desde a manutenção do ninho até os cuidados ministrados aos ovos e larvas, passando pelo abastecimento fora do formigueiro, a higiene pessoal e a dos congêneres, ou ainda essa atividade particular que é a trofalaxia, que consiste em regurgitar uma parte da comida ingerida em uma espécie de segundo estômago que serve de despensa para as formigas muito ocupadas que não têm tempo para se alimentar. E, é claro, os pesquisadores registraram todos os períodos de inatividade.

Dos 225 insetos acompanhados, surgiram quatro grandes categorias: a das puericultoras (34 formigas), a das operárias que trabalham fora do ninho (26), a das generalistas (62), que fazem um pouco de tudo, e por fim a das ociosas (103!) que não fazem nada ou quase nada, independentemente do período do dia ou da noite em que foram observadas.

Para os autores desse artigo, deve-se constatar que nada, nem a necessidade de repouso, nem um ritmo circadiano, parece justificar essa inatividade quase permanente. As formigas que trabalham fazem aquilo que precisam fazer, independentemente do tempo que isso levará, e não são substituídas pelas outras, não há turnos de trabalho entre elas.

Os autores reconhecem que três semanas de observação talvez não sejam suficientes para identificar uma função misteriosa que não seria compreendida pelos entomologistas. Entrevistado pela “New Scientist”, Tomer Czaczkes, da Universidade de Ratisbona, sugeriu a ideia de que essas formigas possam ser uma espécie de exército de reservistas, à espera de serem convocadas para defender a colônia ou fazer uma incursão de escravos em um outro formigueiro…

Daniel Charbonneau, um dos dois autores do estudo junto com Anna Dornhaus, parece pender para outras hipóteses. Como as formigas ociosas têm menos interações com as outras, elas poderiam simplesmente não estar cientes de que há trabalho à espera, ou, ainda mais sutilmente… tentariam evitá-lo. Em um segundo artigo publicado na edição de outubro do “Journal of Bioeconomics”, Daniel Charbonneau e Anna Dornhaus se perguntam se a preguiça, ou pelo menos o fato de que uma fração da população opta pela inatividade, não seria a consequência natural de uma organização de trabalho complexo.

A ociosidade poderia, no fim das contas, ser uma atividade como outra qualquer… Seja como for, esses dois pesquisadores, ao demolirem o mito da formiga trabalhadora, ressaltam que esse resultado implica que todos os estudos de entomologia que se interessam pelas tarefas “ativas” são tendenciosos, uma vez que esquecem que quase metade da população se dedica a uma especialidade importante: o fazer-nada.

Fonte: Uol